Qual a relação do filósofo (médico da cultura), e da psicanálise ( médico da psique), em relação ao sujeito? O filósofo está sempre em busca da verdade, na dinâmica do seu contexto histórico social. Assim como o homem da caverna de Platão, o filósofo é a pessoa que se eleva para o mundo das ideias para estar a serviço do pensar em direção à verdade, quer essa verdade esteja implicada no desenvolvimento da história humana, como sugere a nova revaloração dos valores por Nietzsche, quer ela esteja edificada num poço de verdades metafísicas indubitáveis, como a escola clássica da filosofia sugere. Por outro lado o analista, analisa o sujeito constituído pelos desejos e significações como uma realização da extensão desse grande outro. Esse sujeito comprometido com a ideia abstrata de verdade como conceito por vezes não coaduna com as dinâmicas experienciadas por ele mesmo, nem com seus desdobramentos. Esse é o sujeito faltante, que vive com as máscaras do jogo social, o jogo de esconde-esconde enquanto representação. Filosoficamente falando, e sabendo que esse ser humano mora em uma casa em meio ao céu e a terra, com sua base precária já comprometida. Caso esse mesmo sujeito deixe de empreender uma ligação simbólica das suas faltas com suas tendências neuróticas, ficará determinado inconscientemente num eterno retorno ao mesmo ( compulsão à repetição ). A filosofia, por sua vez, quer justamente uma libertação do homem social para ser o seu próprio destino, assim como o empreendimento psicanalítico, que leva o sujeito filosoficamente a uma aspiração, com as suas próprias dinâmicas históricas, para a solução de sua prisão mental. É essa busca e a compreensão desses fatores históricos que torna o homem mais inteiro, mas nunca inteiro, sempre mais inteiro, sendo que esse mundo de aparência é pensado e idealizado por ele mesmo. Aquele que ascende para o mundo das ideias para estar a serviço de um interminável devir, que é sempre recursivo, e sempre a serviço da sua autodeterminação.