Renan Sifroni

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Ensaio sobre a frustração

Sabe, andei cogitando, em um primeiro momento, a ideia de que a frustração é onde nos elevamos além de nós mesmos, no sentido de pensar sobre o fenômeno em questão e absorver a queda, recompor-se mais realista. Já em no outro dia pensei que é uma volta à realidade, a queda dos ideias. Contudo se ainda fico frustrado com o outro, ou com o mundo, ou mesmo com as injustiças que ocorrem nele, parece-me um sinal, que em última instância ainda em decorrência do exercício narcísico. Por que acho que isso faz sentido? Bom, quando o outro, na busca de seu ganha pão, se presta para usar sua imagem para de alguma forma tentar fazer mais valia daquilo que ele se propõe, seja trabalho, seja status, ou o que quer que seja!  Acaba por traduzir a agressividade que o animal humano precisa para a sobrevivência,  pulsão de vida! Se é perverso, ou não, se é neurose, ou não, não cabe o julgamento de valor fora de uma sessão de análise ou psicoterapia. Ainda mais dentro da melhor opção que é a estrutura neurótica em que vivemos. O que tem o outro haver com o fenômeno alheio, quando não lhe diz respeito? Sendo que a consequência dos atos é da pessoa que está se pondo a fazer isso? Quando indigno-me, percebo o quanto o outro atesta a minha frustração, o medo que eu tenho da queda. Contudo, de fato, se eu já estivesse bem resolvido, ou mais inteiro, o movimento do outro não seria incômodo algum, as consequências seriam dele. Nesses momentos lembro da fala do meu analista, o mais importante é estar forte para bancar a queda das idealizações, pois as idealizações, em última análise, servem como uma ferramenta de projeção do futuro.

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